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Federação Portuguesa de Aeromodelismo

A FPAm

Breve Historial do Aeromodelismo Federado em Portugal

O Aeromodelismo existe em Portugal desde os anos 30, tendo sido coordenado desde 1961 pela Comissão Nacional de Aeromodelismo, entidade estatutariamente ligada ao Aero Clube de Portugal, o representante da Federação Aeronáutica Internacional (FAI) em Portugal.

Durante todo este tempo foram realizados anualmente calendários desportivos de cerca de 25 provas, em média, de entre as quais se destacam os Campeonatos Ibéricos entre selecções nacionais dos dois países, contando-se para nós alguns títulos ibéricos. Também podemos contar algumas participações em Campeonatos do Mundo, das quais realçamos um 3º e um 5º lugares em Voo Livre, um 4º lugar no Campeonato do Mundo de Corridas e um 5º lugar na Taça do Mundo em Corridas de Voo Circular e ainda muitas outras classificações muito honrosas em Campeonatos da Europa e muitas vitórias em campeonatos abertos (Opens) realizados em Portugal e também no estrangeiro.

Possuindo demografia desportiva suficiente para constituir uma Federação, optaríamos em 1986 pela independência relativamente ao Aero Clube de Portugal após três anos de duras negociações, transformando uma entidade tutelada, que ninguém reconhecia e ninguém apoiava, numa outra nova, independente, mais dinâmica, mais actuante, que se pudesse afirmar a si própria e pudesse vir a ser reconhecida nacional e internacionalmente.

Estatutariamente escolhemos Lisboa como sede, muito embora com a desvinculação do Aero Clube de Portugal tivéssemos ficado sem casa, tendo sobrevivido durante sete anos numa garagem para o efeito emprestada. A sede oficial foi conseguida em 1993 através do aluguer de uma loja, a nº 28, do Centro Comercial Ibérico, agora extinto.

Instados a sair, em 1995 saímos dessa loja, após negociações difíceis levadas a cabo pela Direcção, com êxito extraordinário, o que determinou a compra da sede actual.

Começando com apenas seis clubes federados em 1986, encontramo-nos agora com noventa e cinco clubes federados, estando cerca de cinquenta com actividade plena e com muitos núcleos reconhecidos ou em vias de formação.

Criámos a Licença Desportiva Nacional, logo a partir de 1983 e fizemo-la ser coberta com um seguro de responsabilidade civil e, mais recentemente, com o seguro de acidentes pessoais, tendo-se emitido até ao momento cerca de quatro mil licenças, cifrando-se os aeromodelistas mais activos em cerca de mil, neste momento.

Já tivemos cerca de 1500 federados, mas os problemas surgidos com os exames médico-desportivos, sem protocolos clínicos que destacassem a actividade das diversas modalidades desportivas, tão diferentes em esforço físico quanto, por exemplo, o atletismo e o ciclismo ou o xadrez e o aeromodelismo. Apesar de todas as entidades nos garantirem que existiam esses protocolos clínicos, que os médicos desconheciam a nível nacional, o que foi depois provado ser verdade, esta mentira determinou uma fuga de quase 40% dos federados das nossas fileiras, devido às grandes dificuldades em fazerem esses exames e ao preço em que ficavam, implicando grandes deslocações e exames.

O desenvolvimento actual da modalidade deve-se em grande parte ao trabalho desenvolvido pela Direcção da Federação durante vários anos no aspecto da divulgação, tendo sido organizados festivais de demonstração em variadas partes do país, tanto em colaboração com autarquias locais, como com escolas oficiais, ou clubes desportivos ou recreativos e bases aéreas ou do exército.

Nestes anos de actividade devemos realçar os grandes encontros de Aeromodelismo, de carácter distrital, dois feitos em Lisboa ( um em Alcântara e Belém e o outro na Alameda D.Afonso Henriques ) e outro na Amadora, todos em colaboração com o Instituto da Juventude e as respectivas autarquias, qualquer deles, tendo constituído grandes jornadas de confraternização dos aeromodelistas do distrito e grandes momentos de divulgação junto do grande público que a eles acorreu em número de muitos milhares de pessoas.

Devemos destacar o nosso trabalho com o Desporto Escolar, em que concretizámos um protocolo de assistência técnica com o respectivo Grupo Coordenador Nacional, constituímos um curso de monitores especialmente virado para professores e organizámos grupos de intervenção escolar em Lisboa e no Porto.

Dentro do Desporto Escolar chegámos a ter cerca de cinquenta escolas a trabalhar na zona de Lisboa, no Porto e mais algumas espalhadas pelo país.

Organizamos até à data muitos Opens Internacionais em várias classes, cerca de cem, o que nos cotou a nível internacional como bons organizadores e, determinou a realização em Beja do Campeonato Europeu de Voo Livre, em 1998, o qual bateu o recorde, até ao momento, em número de países inscritos e em número de concorrentes, aqueles em número de 30 e estes rondando os duzentos, mais concretamente 198.

Depois, mais tarde, em 2004 organizámos o Campeonato da Europa de Acrobacia Rádio Controlada, em Alcochete, no Campo de Tiro de Alcochete, pertencente à Força Aérea. Mais uma vez esta prova foi a mais participada de todas quantas houve e foi extremamente elogiada a nível internacional.

No ano seguinte, 2005, organizámos o Campeonato da Europa de Maquetas Voadoras, prova que deu azo a que aparecesse um excelente complexo de pistas junto à cidade de Pombal, cuja edilidade compreendeu bem o nosso esforço e a sua posição geográfica e apoiou a prova de modo a que esta fosse um novo êxito.

Estes três Europeus e mais propriamente o da classe F3A, determinou um movimento internacional para que fosse Portugal a fazer o Mundial de 2009, o que de facto aconteceu e, mais uma vez este campeonato foi dos maiores até ao momento e não foi mesmo o maior porque a crise económica mundial fez com que cinco países não conseguissem estar presentes.

No entanto estiveram presentes trinta e oito países e 101 concorrentes, que nos brindaram com as maiores acrobacias. Neste campeonato estiveram presentes cinco campeões mundiais e a cerimónia de abertura foi considerada a melhor de sempre de todos os mundiais.

Nesta prova tivemos uma ajuda digna de nota da autarquia de Pombal que construiu um grande pista e nos apoiou em muitas facetas.

O Aeromodelismo é uma modalidade desportiva altamente pedagógica e de um valor formativo excepcional para todos, mas em especial para a juventude e a sua ocupação dos tempos livres. Não temos descurado o aspecto da formação e, dentro deste, organizámos diversas acções de formação, algumas genéricas, outras específicas e também um curso de Instrutores, um curso de Monitores, cinco cursos de Técnicos de nível 1, em que formámos nos últimos anos cerca de uma centena de técnicos básicos para os clubes e inaugurámos o sistema de formação à distância, pela Internet, vários cursos de cronometristas e vários cursos de formação de juízes das diversas classes.

Este sistema de formação teve de ser interrompido em 2010, devido a uma grande mudança nacional, tendo passado a ser obrigatório chamar aos nossos técnicos “treinadores”, a exemplo dos de futebol, tendo os já formados sido obrigados a comprarem uma Cédula de Treinador de Desporto, o que determinou uma perda de cerca de 45% dos nossos técnicos. Entretanto os cursos de formação foram todos modificados e por isso mesmo a formação foi interrompida por vários anos, não estando ainda em funcionamento,

No intuito de penetrar nas camadas jovens, criámos o nosso Programa de Educação, baseado nos programas americano e inglês, que nos foram gentilmente cedidos e, temos efectuado diversas demonstrações com a intenção de o dar a conhecer, havendo todos os anos muitas escolas e outros núcleos que fazem acções de construção destes modelos..

Sob o ponto de vista desportivo temos mantido através dos anos um calendário desportivo variado, com cerca de noventa eventos, com muitas classes em competição, realizadas desde o Norte ao Sul do país, das quais se apuram no final da época desportiva os campeões nacionais de cada categoria.

As provas nacionais, internacionais e os encontros formam hoje em dia um calendário desportivo de mais de oitenta eventos por ano.

Anualmente efectuamos um festival - encontro comemorando a aniversário da Federação onde, em cerimónia protocolar, se entregam os prémios aos campeões do ano anterior.

Em 2012, a 5 de Maio, data da fundação, demos mais um passo grande, com a inauguração de um complexo de pistas para voo circular e para rádio controlo, num terreno onde existia um campo de futebol com espaço alargado e uma zona social, que não era utilizado e que deu origem a uma proposta da Junta de Freguesia da Maçussa, com a qual se aprovou e assinou um protocolo de utilização do espaço e se implantou este complexo. Tem a grande vantagem de ser um local aberto todo o ano, do nascer ao sol pôr, e com uma zona social com electricidade, água, sanitários, mesas para comer e churrascos, debaixo de sobreiros e parque de estacionamento.

A nível externo estamos reconhecidos pela Fédèration Aeronautique International (FAI), com sede em Lausanne - Suíça (desde 1987), da qual recebemos os poderes desportivos desta modalidade para Portugal, com a anuência do antigo detentor, o Aero Clube de Portugal. Participamos anualmente na reunião plenária da Comissão International de Aeromodelismo que se realiza em Março ou Abril de cada ano em Lausanne, através de dois delegados, representando assim o nosso país na assembleia magna específica de nível mundial.

Em 9 de Setembro de 1994 fomos reconhecidos como Federação com Utilidade Pública Desportiva, o que muito nos honra e nos reconhece um estatuto de grande dignidade.

No entanto, apesar de estarmos intimamente ligados à FAI, mais um decreto-lei feito sobre o joelho retirou-nos em 2013 a Utilidade Pública Desportiva, porque não pagávamos para uma entidade internacional reguladora da modalidade, sendo a interpretação desse documento feita sem conhecimento do que se passava com a nossa federação internacional, que sendo uma entidade com dez modalidades aeronáuticas em funcionamento, apenas tem um associado principal por país, sendo todos os outros colocados sem pagamento nas dez Comissões sectoriais. Mais esta acção intempestiva do Governo determinou não termos tido o apoio obrigatório com a UPD e passarmos um ano sem saber como funcionar, cheios de trabalho para demonstrar que o Estado estava errado, o que acabámos por conseguir. No entanto, para garantir a nossa posição fomos forçados a entrar para a FAI como Associate Member, o que só duas entidade desportivas aeronáuticas podem fazer, por país, determinando uma despesa grande e muito maiores responsabilidades. Deste modo, através dos exames médicos sem protocolos clínicos em 2010, os treinadores em 2011 e 2012 e a retirada da UPD em 2013, interrompeu-se um crescimento que se cifrava em cerca de 20% anuais e passamos a ser apenas uma federação com 1000 federados em final de 2013, mesmo assim dentro do grupo de federações de tamanho médio no país, quando podíamos já estar perto dos 2000. O grande problema é que todos os que estavam dentro da federação, com seguros, com regras de segurança, com formação, com orientação e resolveram abandonar a FPAm continuam por certo a voar sem seguros, sem regras, em locais de voo sem homologação e sem condições, esperando, nós, que não se verifique nenhum acidente grave , que viria dar mais uma machadada na nossa estrutura global. Se acontecer a culpa será indexada a quem de direito.

Mantemos contactos com organizações congéneres, muito em especial com a vizinha Espanha, com a qual mantemos um protocolo para realização de provas internacionais e diversos acordos com várias Federações autonómicas espanholas e com a Federação Britânica.

Internamente fomos reconhecidos pelo Instituto dos Desportos, que nos apoiou através de contratos-programa anuais, estamos integrados no Comité Olímpico de Portugal, somos fundadores da Confederação do Desporto de Portugal, temos mantido programas de divulgação com o Instituto da Juventude, temos cordiais relações com a Força Aérea Portuguesa e o Exército Português e até acordos para utilização de várias bases das duas entidades.

A nível de coordenação sistematizámos, actualizámos e informatizámos toda a legislação nacional e toda a legislação técnica internacional, que traduzida e depois de aprovada constitui o actual Regulamento Nacional de Aeromodelismo.

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